A ampliação do acesso ao ensino superior nos últimos anos trouxe também um novo desafio para as universidades: garantir que todos os estudantes consigam permanecer e se desenvolver academicamente, inclusive aqueles com necessidades educacionais específicas. Nesse contexto, instituições têm buscado estruturar políticas e ferramentas voltadas à acessibilidade e ao acompanhamento dos alunos ao longo da graduação.
Na Estácio, a inclusão é tratada como parte da política institucional e envolve diferentes setores da universidade: “A inclusão de estudantes com necessidades educacionais específicas é pensada desde o ingresso até a conclusão do curso, com base em uma política institucional de acessibilidade que orienta nossos processos”, explica o psicólogo Leonardo Machado Pereira, responsável pelo Núcleo de Apoio e Atendimento Psicopedagógico (NAAP).
O NAAP tem papel central nesse processo e funciona como um espaço de acolhimento, orientação e mediação dentro da universidade. Além do atendimento direto aos alunos, o núcleo também atua em diálogo com professores e coordenações de curso, sugerindo estratégias pedagógicas e adaptações quando necessário. “Fazemos o acolhimento, escuta qualificada e orientação psicopedagógica, ajudando o estudante a encontrar caminhos para aprender com menos barreiras”, destaca Pereira.
Entre as possibilidades de apoio oferecidas estão tempo adicional em avaliações, adaptações no formato das provas, materiais acessíveis e orientação na organização dos estudos. Além disso, uma novidade implementada pela instituição é a criação de um banco de questões “que busca ampliar as possibilidades de adaptação das avaliações, permitindo que provas e atividades sejam elaboradas considerando diferentes perfis de estudantes”, segundo o psicólogo.
A proposta é reunir questões estruturadas de forma objetiva e acessível, permitindo que as provas sejam montadas considerando necessidades específicas já identificadas pelas unidades. Neste primeiro momento, o sistema ainda conta com intervenção humana na organização das avaliações, mas a expectativa é que futuramente o processo seja automatizado.
Na prática, iniciativas como essas podem contribuir para que os estudantes consigam permanecer e se desenvolver na universidade com mais segurança. Segundo Pereira, muitos relatam que ter um espaço de escuta e orientação ajuda a reduzir a sensação de isolamento que pode surgir diante de dificuldades acadêmicas ou barreiras de acessibilidade. Ele aponta, ainda, que o avanço da inclusão no ensino superior passa também pela sensibilização da comunidade acadêmica e pelo fortalecimento das estruturas de apoio.
Por Usina de Notícias




