As restrições na oferta de óleo diesel, em meio à disparada das cotações internacionais do petróleo desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, passaram a se intensificar no país e já afetam diferentes regiões produtoras. Há relatos de dificuldades no abastecimento do Sul ao Centro-Oeste, elevando a preocupação com o escoamento da produção agrícola e a operação de máquinas no campo.
No governo federal, a avaliação é de que os efeitos podem chegar aos preços dos alimentos. O milho, base da ração animal, está no radar, com potencial de pressionar o custo das carnes. Até o momento, as medidas adotadas incluem redução de tributos sobre combustíveis e reforço na fiscalização de reajustes, mas já há discussão sobre a criação de uma linha de crédito emergencial.
Produtores de arroz no Rio Grande do Sul, responsáveis por cerca de 70% do abastecimento nacional, relatam dificuldades, assim como agricultores de soja no Centro-Oeste e usinas de açúcar e etanol em São Paulo, que se preparam para a safra 2026/2027. O diesel é essencial tanto para o transporte da produção quanto para o funcionamento de tratores e colheitadeiras.
Mesmo com restrições ainda consideradas pontuais, os preços já subiram. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o diesel ficou 19,4% mais caro ao consumidor desde o início do conflito. O aumento pressiona as margens dos produtores, que já enfrentam custos elevados.
De acordo com José Vicente Caixeta, diretor da Caixeta Inteligência Logística, o impacto é imediato no frete, com alta entre 10% e 12%. “O impacto não acontece apenas nos produtos que estão sendo colhidos, mas também naqueles que estão sendo plantados, já que as máquinas também usam diesel”, afirmou.
O presidente da Fecombustíveis, James Thorp, disse que a incerteza sobre preços e oferta tem levado ao aumento da demanda. “As distribuidoras vêm atendendo os pedidos com base na média de consumo dos postos. Solicitações adicionais não têm sido atendidas”, afirmou.
No Sul, levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) aponta que 165 dos 345 municípios consultados relataram problemas no abastecimento de veículos e máquinas públicas, número superior ao registrado dias antes.
A colheita do arroz no estado, que ocorre entre fevereiro e abril, preocupa produtores. Segundo a Fedearroz, o aumento do diesel ocorre em um momento de preços baixos do grão. “Eventuais impactos na produção podem repercutir no mercado, com possíveis efeitos sobre o preço final do arroz”, informou a entidade.
Fonte: O sul





